Todo o trabalho cênico que culminou na CIA. TEATRAL VOZ DA TERRA começou em 2002, com a diretora Iara Fortuna que idealizou e criou o grupo teatral com a conivencia e parceria afinca de Ana Aurelia Di Bella Napolitano. A primeira montagem foi: “AS PESSOAS DE FERNANDO”. A diretora concebeu este espetáculo sobre os heterônimos do poeta português Fernando Pessoa. Aqui se deu o início de tudo, como a semente do que viria a ser o Voz da Terra. Nesta produção o grupo tinha um elenco misto formado por atores de São Paulo, mesclados com jovens e crianças de São Thomé das Letras. Contou com a participação da atriz que está conosco até hoje, Lucila Costa, interpretando o poema de Fernando Pessoa, intitulado “ANIVERSÁRIO”. Depois deste embrião, a Companhia seguiu
progressivamente, com a apresentação da montagem: “UMA NOITE NA CORTE DO REI ARTHUR”, releitura iniciática de Giselda Sbragia (dramaturga), adaptada por Iara Fortuna sobre a lenda do rei Bretão e os Doze Cavaleiros da Távola Redonda. Posteriormente, a Companhia representou: “TERRA BRUTA”, obra teatral em ato único, também de Giselda Sbragia. A encenação seguinte, foi um musical sobre a vida de um dos maiores compositores brasileiros, Heitor Villa-Lobos. Uma biografia musicada com elenco formado por mais de cinquenta pessoas, entre atores, bailarinos e crianças são tomeenses, intitulada “VILLA-LOBOS DO BRASIL”, também dirigida por Iara Fortuna. Com esta produção, o conjunto viajou por diversas cidades sul-mineiras, participando também da Mostra de Teatro de Pouso Alegre (MG). A partir deste momento, o grupo passou a denominar-se: CIA. TEATRAL VOZ DA TERRA, instalando-se como uma das atividades culturais da
Associação Voz da Terra, nome este criado por uma das componentes do grupo, Elizabeth Ornelas. Faz parte desta trajetória, uma remontagem de: “UMA NOITE NA CORTE DO REI ARTHUR”, com direção de Mayssalum Ibrahim. Em 2016, “SHAKESPEARE SOBE A MONTANHA”. Uma compilação de textos teatrais do bardo inglês, visto como o maior dramaturgo de todos os tempos. Recentemente, a Companhia estreou: “TIRADENTES - HOJE É O DIA DO BATIZADO”, adaptação do texto de Gianfrancesco Guarnieri e Augusto Boal: “ARENA CONTA TIRADENTES”, com inserções do: “ROMANCEIRO DA INCONFIDÊNCIA”, da poetisa carioca Cecília Meirelles. Em 2021, a Cia. foi contemplada com a LEI ALDIR BLANC e realizou sua I MOSTRA DE TEATRO, assim seguiu o fluxo da reinvenção e, experienciando novas linguagens, produziu, com o apoio da respectiva lei, a Mostra Teatral, em ambiente digital.Dialogar sobre teatro em São Thomé das Letras, sobretudo após o árduo trabalho da CIA. TEATRAL VOZ DA TERRA, abre um leque de possibilidades e assuntos artísticos-culturais, que a cidade não tinha antes. Tem caráter ímpar e exemplar, a contribuição do teatro para a sociedade são tomeense. A cidade não possui teatro, o que impede o acesso da população a esta arte tão completa e inclusiva. Portanto, com o surgimento da COMPANHIA TEATRAL VOZ DA TERRA, esta atividade artística passou a preencher uma lacuna cultural e social com espetáculos de dramaturgos profundos e temáticas reflexivas e abrangentes.A presença da atriz e diretora de elenco Marlene Fortuna no grupo , ajudando a dirigir os atores iniciantes da cidade de São Thomé das Letras, com sua experiência de anos e anos de teatro, que foi desde a Escola de Arte dramática (EAD/ECA/USP), até longo tempo como protagonista do Grupo de Teatro Macunaíma, dirigido por Antunes Filho. É oferecida uma perspectiva nova de sensibilidade teatral, além de, um purismo saudável, destituído de quaisquer ranços de maneirismos indevidos. Vinte anos de muita luta, dedicação e colaboração de tanta gente. Toda uma equipe muito engajada e firme. Cada um que passou pelo Ponto de Cultura, acrescentou um pouquinho de si, marcou de forma indelével a construção desta Companhia. Mas, sabemos que na vida mais vale a semeadura que a colheita, sendo assim, o Voz da Terra continuará, dentro do possível, e se Deus o permitir, a espalhar as sementes da arte, da ética, da união e da cultura. É fundamental pontuar a dedicação, amor e empenho do cenografo Celio Vieira Costa nessa jornada, é ele e atraves dele que os espaços são trasnformados em teatros, com acustica e cenografia necessarias e de qualidades. Seu empenho completa um grupo de profissionais dedicados e empenhados em pontuar São Thomé das Letras como um lugar de boa arte e cultura milenar.Essa tonica é capaz de salvar crianças, jovens e adultos que se encontram em situação de vulnerabilidade social. Contribui, outrossim, para a formação e o aperfeiçoamento dos integrantes da equipe, pois, antes de um espetáculo ir a público, ele passa por rigorosos procedimentos, como ensaios, estudos, pesquisas e muita leitura.
A COMPANHIA TEATRAL VOZ DA TERRA, hospeda vários prêmios e editais no currículo sendo reconhecida com o título de UTILIDADE PÚBLICA MUNICIPAL, por sua ação social e contribuição para o fomento da cultura nesta cidade e região do sul de Minas Gerais. Foi também agraciada com o VI PRÊMIO CENA MINAS, concedido pelo Governo do Estado de Minas Gerais, na época: Antonio Anastasia. A intensa atividade da COMPANHIA VOZ DA TERRA, creditou à cidade de São Thomé das Letras, o reconhecimento do: PONTO DE CULTURA, ofertado pela Secretaria da Diversidade Cultural e pela Lei Cultura Viva (13.018/2014). Homologação do Governo Federal.Em 2015, teve seu PROJETO DE AQUISIÇÃO DE EQUIPAMENTOS aprovado no Programa Comunidade Presente da Fundação Itaú Cultural. Em 2021, o Ponto de Cultura Cia. Voz da Terra foi contemplado com a LEI ALDIR BLANC e realizou sua I MOSTRA DE TEATRO ONLINE. Apresentou alguns excertos de montagens construídas ao longo de duas década. Conduzida pelo narrador, que alinhavou diversos personagens, o espectador se defrontou com monólogos extraídos da peça: “SHAKESPEARE SOBE A MONTANHA”, cenas de: “TIRADENTES - HOJE É O DIA DO BATIZADO”, mescladas com passagens de: “VILLA-LOBOS DO BRASIL”. Vários seres ficcionais deste musical, aparecem na Mostra, como Mãe Ingá, a índia que narra a lenda amazônica da vitória-régia e o Sertanejo, que interpretou um monólogo extraído de: “O GRANDE SERTÃO VEREDAS”, de Guimarães Rosa. A Mostra apresentou também, a encenação da jocosidade do político português, que desembarcou nestas plagas em pleno ciclo do ouro - Período Colonial do Brasil; a comicidade no monólogo urbano da namorada preterida e encerrando esta representação online, duas importantes reflexões: a primeira, aborda a fugacidade da vida, retratada pelo dramaturgo espanhol Calderón de La Barca, em sua obra magistral: “A VIDA É SONHO”. A outra, reflete sobre o valor da arte na existência humana, através das palavras finais do narrador: “Não se sabe ao certo se a vida imita a arte, ou se a arte imita a vida. O que se sabe é que, parodiando o filósofo alemão Friedrich Nietzsche, sem a arte, a vida seria um erro”.
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