PONTO DE CULTURA CABOCLOS DE NOSSA SENHORA DO ROSÁRIO DO SERRO MG
O Ponto de Cultura Caboclos de Nossa Senhora do Rosário do Serro MG é formado por alguns integrantes do grupo de congado Caboclos da Irmandade de Senhora do Rosário do Serro, colaboradores e amigos dessa cultura. O objetivo é desenvolver e articular atividades artístico-culturais que ajudem a preservar e promover a tradição dos congados da festa do Rosário do Serro como importante referência cultural da cidade, de Minas Gerais e do Brasil. O Ponto de Cultura Caboclos do Serro foi fundado em 2016 e em 2017 recebeu a certificação do Ministério da Cultura do Brasil. A convite do Governo de Minas, em 2020 participa da implementação da Lei de Emergência Cultural Aldir Blanc no Estado.
O objetivo do coletivo é promover, ampliar e garantir a criação e a produção artística e cultural dos Caboclos do Serro através de ações que favoreçam a preservação das memórias das tradições culturais do Congado e que possibilitem o intercâmbio, a parceria e a troca de experiências entre os próprios membros da Caboclada e outros grupos, coletivos, entidades e práticas culturais. Dentre as ações/atividades dos Caboclos do Serro destacam-se a participação na Festa de Nossa Senhora do Rosário do Serro; Oficinas de confecção de indumentárias (fardas) e instrumentos (caixas de couro, arcos e flechas); Oficinas de Evocação Natural do Canto Caboclo; Realização e organização de “Encontros de Bate-papo com Mestres”. Além disso, o Ponto de Cultura busca alternativas e apoios para promover e divulgar a cultura de devoção a Nossa Senhora do Rosário do Serro junto aos mais diversos públicos, aumentando a visibilidade do grupo, da tradição do Congado e da cidade no cenário estadual e nacional.
Origem histórica
A Festa do Rosário do Serro, da qual os Caboclos são parte fundamental, possui sua origem histórica diretamente relacionada os Reis e Rainha que serviram à Nossa Senhora do Rosário na África. A mais antiga menção a uma “Confraria de Nossa Senhora do Rosário dos homens pretos” data de 1496. Trata-se de um alvará dado a uma confraria para “pedir esmolas na caravela que iam para a foz do rio Guiné”. Em 1526, dois homens pretos livres receberam autorização do rei de Portugal para fundarem uma Irmandade do Rosário na ilha de São Tomé, na África. Em 1552 já existia uma confraria do Rosário “para os muitos escravos de Guiné” na Capitania de Pernambuco e outras pelos engenhos de cana de açúcar do Brasil. Em 1607 o Rei do Congo “Mpangu-a-Nimi Lukeni lua Mvemba, Álvaro II” entrou para a Irmandade de Nossa Senhora do Rosário. Em 1674 já eram realizadas coroação dos reis do Rosário em Recife. O registro mais antigo da presença de Reis e Rainhas do Rosário no Serro data de 1716. O Compromisso da Irmandade do Rosário do Serro de 1728 e foi aprovado pelo Bispo do Rio de Janeiro em 1729.
Tradição oral – A Lenda de N. Sra. do Rosário do Serro: mito fundador da tradição dos Caboclos do Serro
Como entre tantas expressões da cultura popular, a transmissão de saberes dos Caboclos está atrelada à observação e à prática, orientada pela transmissão oral de conhecimentos dos mais antigos na manifestação para os mais jovens. Para além da historiografia oficial, os repertórios nativos baseiam-se principalmente em mitos e lendas populares que, compartilhados entre os membros da comunidade e os grupos que compõem a festa, criam uma espécie de narrativa que serve como justificativa às representações e simbolismos adotados durante as celebrações/rituais. Os relatos buscam uma reconstrução histórica e mítica, fundindo a história de ocupação da região da Comarca do Serro do Frio aos antigos mitos populares sobre aparições da “Virgem Maria”, onde “marinheiros, índios e negros são apontados como responsáveis pelo início do culto”. De acordo com a lenda de Nossa Senhora do Rosário contada no Serro (tradição oral local), os caboclos “representam os índios”. São os “abre-alas da festa”. Ao som de caixas de couro e sanfonas, “reverenciam” Nossa Senhora do Rosário com alegria, “representando a persistência dos índios que não se deixaram dominar”. Enfeitam-se com coletes (“peitos”) adornados com bijuterias, lantejoulas, broches e medalhas. Usam saiotes e cocares de penas coloridas, enfeitados com fitas, perneiras com penas, pulseiras e brincos. Trazem consigo arco e flecha de madeira, enfeitada com fitas e plumas, com a qual batem, fazendo um estalido que acompanha o ritmo da caixa. Os caboclos saem sempre em duas alas, tendo ao centro o Caboclo Mestre, Chefe da Caboclada.
"Chaga os passos aos seus lugares”.
Os caboclos mirins, ou “caciquinho/calafatinho”, acompanha os caboclos adultos e tem como função chamar os caboclos adultos para a dança, gritando após o apito do Caboclo Mestre: "chaga os passos aos seus lugares”. Com o crescente interesse de outras crianças para participarem do Grupo Caboclos do Serro, foi criado no início dos 2000 um grupo específico para as crianças, mas sempre sob supervisão e orientação do Caboclo Mestre ou de um “outro caboclo chefe”. Com os caboclos adultos ainda participam caboclos crianças, sempre ao lado do Caboclo Mestre, como “manda a tradição”. Esta foi uma das iniciativas que os Caboclos do Serro tomaram para perpetuar a tradição dos Caboclos na Festa do Rosário no Serro, proporcionando aos mais jovens a oportunidade de segurem os passos dos mais velhos e mais tarde ocuparem seus lugares da condução da tradição.
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